domingo, 25 de julho de 2010

"EXPULSOS DA TERRA" A FOTO PREMIADA

Clóvis e Luiz Vasconcelos

A índia Valda Ferreira com seu filho no colo


A FOTO PREMIADA


Manaus sempre se destaca no cenário mundial, pois aqui temos bons escritores, bons poetas e bons fotógrafos como mostra a foto acima de Luiz Vasconcelos, finalista do Prêmio Esso e Embratel e também premiada na França, que vai figurar no Livro” Les 100 Photos Du XXI e Siecle” “ As 100 melhores Fotos do século XXI” , cujo livro será lançado mundialmente na França, ainda em Dezembro deste ano.

Luiz nos conta:
“ Lembro como se fosse hoje. A pauta chegou na noite anterior. O Célio Jr. ( editor de fotografia do jornal “ A Critica” me ligou dizendo que de madrugada , o motorista me buscaria para irmos até o Km 11 cobrir uma reintegração de posse. Chegamos lá e o cenário era de guerra, Cavalaria, Canil, Rocam, Goe, e Tropa de Choque. A policia avançava e as bombas explodiam ao meu lado. Até que enxerguei a índia Valda Ferreira que com o filho no colo, não temia enfrentar os PMS, na luta para se manter na sua terra. O seu marido já tinha sido preso e sua casa destruída. Então, vi quando ela arregalou os olhos, cerrou os punhos e partiu para cima dos policiais. Foram cerca de 30 segundos de enfrentamento e quarenta cliques “ relembra o fotógrafo. E foi um desses 40 cliques que ganhou reconhecimento mundial.

Fonte: Jornal “ A Critica” ( 18\07\20010 ) Um artigo de Israel Conte

Colaboração de Doroni Hilgenberg


terça-feira, 4 de maio de 2010

OS RATOS ESTÃO SOLTOS !



OS RATOS ESTÃO SOLTOS!


Reza a história nacional que o prédio da Câmara Distrital, em Brasília, inaugurado da semana passada e prontamente ocupado por militantes, teve a sua construção iniciada há 10 anos. Caramba! Mais engraçado, para não dizer trágico, assíduo leitor, a obra estava orçada em
R$ 20 milhões. Porém, mesmo o Brasil não tendo inflação, ao colocar a última pá de cal na
obra, o orçamento pulou para R$ 100 milhões. Será que tem muito rato parrudo roubando?

A pergunta acima procede, pois a história nacional lembra outra lenda que corre à boca
pequena em Brasília. Diz-se, que lá tem tanto rato, mas tanto rato que se alguém esquecer
numa mesa de gabinete um pedaço de queijo, o parlamentar que estiver no retrato pregado
na parede, se materializa, vira bicho (entende?) e corre para roubar o queijo. Ô, raça!
E por falar em orçamento, estou completamente bege, enxaguada, quarada e passada na
caixa com a new-forma-de-empregar-sem-concurso.

Trata-se, veja só você, leitora querida, da Fundação Escola, Rádio e TV Câmara de Manaus. Meninos, a farra vai ser boa, os salários vão de R$ 2.100 mil a R$ 9 mil e a pessoa ainda pode "arrastar" o seu salariozinho de funcionário público. Acha pouco?... Continue a leitura colega...
Os cargos, nossa! Vai de Diretor Presidente a Presidente da Comissão de Licitação, assim, pelas beiradas, vai comendo junto os cargos de assessor jurídico e de agente administrativo, para citar alguns. Eita, lelé, um festival de cargos para ratos se regalarem! É mole? Mana, como endurecer?

Nesse ritmo, não tem como subir e ficar duro o dos pobres mortais, gente! Sim, porque nós é que vamos pagar todos esses ratos. Agora, vem cá, e a Receita Federal, hein? Só sabe vasculhar a vida de quem trabalha. E é quem paga imposto, pois caso contrario baixa a dona Serasa, SPC e outros qtais! É dessa raça, hein? A Receita nem "se toca" em buscar as ratoeiras, não é, darling?

Crônica da Jornalista Mazé Mourão
Editado no Jornal “A Critica em 29-04-2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

SEQUESTRO RELÂMPAGO


SEQUESTRO RELÂMPAGO


Estamos cansados de saber e de ler sobre as maldades que acontecem no mundo, e ficamos estarrecidos com a capacidade que o ser humano tem em engendrar atos maléficos e hediondos. Também estamos cansados de saber, que devemos ser solidários com o próximo, menos materialista e mais espiritualista , enfim humanizar-se. É um dever cristão ajudar e orientar e sendo estas, pessoas de idade, então é um dever sagrado. Mas, por causa dessa minha mania de ter o coração aberto, saber ouvir e querer ajudar, eu fui vitima de um seqüestro relâmpago em meados de janeiro e fiquei durante quatro horas nas mãos de golpistas, que só me soltaram depois que conseguiram retirar todas as minhas economias do banco.


Foi tudo muito rápido...Eram dez horas da manhã e eu estava voltando da academia ( ginástica)quando parei para dar informações a uma senhora que estava a procura de apartamento nas redondezas. Neste momento surge minha filha e também conversa com a referida senhora. De repente, para um carro e dele desce um rapaz que ela diz ser seu sobrinho. Bem apessoado e ela também, muito distinta e simpática. A Evelyn segue seu caminho e eu ia me despedir, quando então, surge a arma nas mãos do rapaz e este em questão de segundos me empurra para dentro do carro, enquanto a senhora entra rápido pela frente onde já havia outra mulher na direção. E o carro dispara e eu gelei, nem deu tempo de gritar.... o pânico tomou conta de mim....


Então o rapaz guardou a arma e disse:--Senhora, não vamos lhe fazer mal, queremos o seu dinheiro...Pegaram minha bolsa e por azar, eu que nem sempre levo a carteira para a academia, aquele dia estava com ela e todos os cartões. E ai f oi um inferno, me levaram para caixas eletrônicos, boca do caixa, e até em lotéricas no fim do mundo. E ai vocês estão pensando porque eu não gritei e chamei a atenção dos guardas. Mas eu estava completamente nas mãos deles, eles sabiam onde a Evelyn estava e usaram-na para me coagir. Diziam que, se qualquer coisa desse errado, o rapaz ( que ficava sempre fora, enquanto a senhora entrava comigo no banco e a outra ficava de sobreaviso no carro) iria atrás da Evelyn e ninguém se responsabilizaria pelo que acontecesse com ela. Então, o medo tomou conta de mim e eu fui retirando o dinheiro e passando para as mãos deles. Numa determinada hora, parecia que eu ia sufocar, ai eles pararam o carro e me deram água, que por certo continha algum calmante pois senti-me relaxar.


A partir daí, o dinheiro que eu tinha passou a ser só papel, eu queria preservar a minha vida e a da Evelyn, e aqueles filhos da mãe estavam agindo de cara limpa. Quando me soltaram perto de casa e eu nem sei como cheguei, pois estava atordoada e tremia demais. A Evelyn, já preocupada com a minha demora tinha ligado para meu filho e fomos fazer o BO. Percorremos quase todo o trajeto feito pelos golpistas, mas eles não pararam em nenhum lugar onde houvesse câmeras. No outro dia, o investigador da policia ligou para que eu comparecesse na delegacia dar mais detalhes e fazer um retrato falado do trio de golpistas. Mas acontece que eu não fui, estava traumatizada, o medo era tanto que passei duas semanas sem sair de casa. E também pensei: - de que adianta, esse pessoal quando é preso num dia, já é solto no outro- Não se pode confiar mais em nenhuma autoridade, todo o sistema esta corrompido.

E lembrei bem do que o cara disse:

--Senhora, agora vá e esqueça!!!

E eu estou tentando esquecer e dou infinitas graças à Deus por estar viva, mas um dia alguém dará uma rasteira nessa velha golpista, ora se não!!!


Doroni Hilgenberg

sábado, 16 de janeiro de 2010

HAITI É JÓ


HAITI É JÓ




No começo, tu eras o doce que adocicava as línguas dos teus colonizadores. Durante um longo período abastecestes o mundo com o mel vindo das colmeias de tuas plantações. E nessa época, teu povo negro vivia de um mar claro, alvo, feito de açucar. Tua localização é privilégio de poucos, o Caribe. Talvez por isso, os homens fortes que te povoaram a terra, vindos da Africa à força, escaravizados, antevendo o local que atracariam, d entro dos navios negreiros cantavam e dançavam, trazendo ritmo e melodia para as Américas. O mesmo sangue negro acorrentado, vindo de além mar, foi o primeiro em 1804, a libertar-se na América. Livre, enriquecido pela colheita de açucar... Haiti, tu vivias feliz!


Então, veio um furacão e inundou tuas cidades. Depois dele, outro e mais outro. O último em 2008, destruindo tudo o que encontrava. E teu povo chorou aos gritos. Tuas florestas foram desvastadas para produzirem carvão, gerando energia barata e cara ao mesmo tempo. Tão logo as árvores se foram e vieram mais furacões, o efeito foi ainda mais desolador, pois o vento e as águas não tinham mais inimigos que impedissem de invadir suas cidades. Além dos desastres naturais, a partir do século passado, tu fostes invadido por uma enxurrada de governantes incompetentes. A corrupção como um cancro, instalou-se no seio dos teus governos, espalhando-se por todo o resto de tuas repartições públicas. A miséria, fruto dessa malversação de verbas, fez pior: contagiou a sua indefesa população. Frágeis, debilitados, contaminados pela pobreza extrema, teus homens e mulheres foram vistos comendo ratos nas favelas de papelão e plástico. Tuas crianças faziam bolinhos de barro para enganar a fome. E teus velhos estavam abandonados. Teu lindo povo, cuja pele imita a noite e cuja alma as estrelas teimam em copiar, parecia caminhar para a escuridão...Se já não bastasse toda a dor e sofrimento causado pelos furacões e mazelas sociais, um terremoto te pegou em pleno sono, sonhando com dias melhores.


Tu enfrentas agora, o pior de todos os teus pesadelos: sem água, sem comida e medicamentos...Sem rumo. Em tuas ruas, milhares de vidas vagam desnorteadas. Uma poeira embranquiçada se elevou sobre ti. Eram tuas casas ruindo. Foste coberto por um manto da mesma tonalidade que cobriu teu passado de glória e riqueza. Hoje, debaixo de toneladas de escombros e ferros retorcidos, ouve-se os pedidos de socorro. Mas eles vem sendo gritados há muito tempo por ti, Haiti, sem que a comunidade internacional ouça. Tu não tens petróleo e tua riqueza resumiu-se em tua gente. Brasileiros em missão de paz também foram vitimados pelas ondulações de tuas terras. Zilda Arns, fundadora da Pastoral da criança, sucumbiu dentro de uma Igreja. A religiosa e a igreja me levaram a Jó. A Biblia diz que Jó era rico em todos os sentidos, mas perdeu tudo: familia, propriedade, liberdade, saúde... Mas sua fé em dias melhores permaneceu inabalável. Apos todo o padecimento, Deus lhe restituiu tudo o que havia perdido, multiplicando-lhe a riqueza e a felicidade. Jabor citou que "quando Deus e os homens se juntam, as tragédias são maiores". Prefiro crer que " quando Deus e os homens se unem, os milagres são maiores". Tu Haiti, és uma espécie de Jó. E se for assim, que daqui em diante, teu povo viva em paz, com saúde e educação para todos, em habitações digna, com taxa de desemprego suportável e governado por homens de bem. Esse é o desejo do mundo inteiro. É o pedido que muitos, hoje em lágrimas, fazem aos céus.


Colaboração de Doroni Hilgenberg


Artigo de: IVO DE AGUIAR; administrador, professor e cronista. ( extraido do jornal " A Critica- 16-01-2010)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

VINGANÇA



A VINGANÇA

Naquela tarde Márcia havia caprichado no visual porque queria ir numa reunião de escritores na Academia. Um famoso escritor estaria autografando seu livro e ela queria conhecê-lo, além de adquirir o livro. Já que ela não dirigia e não gostava de pegar táxi sozinha à noite e nenhuma amiga estava disponível naquele tarde para acompanhá-la, esperou que seu marido chegasse do trabalho e pediu-lhe para levá-la à Academia.
Por azar, ele chegou aborrecido sabe-se lá com o que e não quis levá-la.

Por mais que Márcia lhe pedisse e lhe dissesse que não precisava esperar, ele não quis fazer-lhe o favor, não a levaria e ponto final. Depois de tanto tempo casada Marcia já sabia,
que qualquer discussão depois de um categórico não, era pura perda de tempo e paciência.
Conformou-se, mas lhe disse que mais cedo ou mais tarde também lhe diria um grande NÃO. Ficou ruminando uma vingança mas uma boa oportunidade não aparecia assim tão fácil.

E o Anjo a dizer-lhe esqueça e o demônio sempre a lembrar-lhe.

Uns dias depois, apareceu uma ótima oportunidade . Ele havia passado no shopping e comprado umas calças, tão logo as experimentou, viu que estavam compridas demais.
Chamou Márcia e lhe disse:
--Meça aqui meu bem, e faz a barra para mim...
--Eu? Fazer as barras das tuas calças? Não faço não!!!
--Faz sim!
--Não faço e pronto! Ele também já a conhecia...
Pois não faça disse ele aborrecido, eu levarei a uma costureira.

Uma semana depois, as calças estavam de volta da costureira, mas ele não as usou de imediato. Márcia deu uma olhada nas calças e foi ai que o demônio começou a cutucá-la embora o Anjo fizesse ver que era pura maldade. Mas uma risadinha safada tomou conta dela, pois a idéia que o demônio lhe dera, já havia tomado forma.

Quando por fim, seu marido resolveu usar uma das calças, pegou bem “aquela”. Márcia deu uma olhada como quem não quer nada e ficou por isso mesmo. Se ele notou alguma coisa também não falou nada e foi trabalhar. Quando veio almoçar, ele olhava de uma perna para outra até que perguntou à filha:
--Você não acha que esta calça esta com uma perna mais curta que a outra?.
--Nossa pai, está sim, que costureira você arrumou heim?
Ai, ele tirou a calça mais que depressa e pediu com toda a delicadeza se Márcia podia arrumá-la, que “ naquela costureira dos diabos” ele não voltava mais.
Esta certo, Márcia respondeu, segurando o riso e com a cara mais inocente possível - deixe em cima da cama que eu conserto como puder.
Depois disso, por uns bons tempo, mesmo não gostando, ele não se recusou a levar Márcia onde quer que ela quisesse ir. Mas o que ele nunca soube, foi que o serviço sujo na calça dele, não foi a costureira quem fez, e sim sua endiabrada esposa.

“As vezes, só por malandragem, o demônio nos cutuca e nosso anjo acaba rindo”.
Doroni Hilgenberg

OB. Conto classificado entre os 100 melhores no Concurso da Revista Claudia., e pelo qual eu ganhei o livro autografado de Paulo Coelho “ O Demônio da Srta. Prym.- 27-10-2.000

terça-feira, 8 de setembro de 2009

TERRA CAÍDA


TERRA CAÍDA


O Caboclo Sebastião, que todos conheciam como Sabá, era um simples pescador mas vivia feliz da vida e nada lhe faltava. A vida no meio das matas era boa, tinha uma pequena casinha, uma mulher e quatro filhos sadios. O rio lhe dava os peixes de graça, as matas lhe davam frutos em abundância e da rocinha do fundo do quintal ele colhia o suficiente para comer. De vez em quando saia atrás de uma jacaretinga ou de um tracajá, para fazer um prato domingueiro. Quando as crianças crescessem mais um pouco, ele mandaria para casa do irmão para que aprendessem a ler e escrever, pois que caboclo não carece de muita instrução. Todo o seu prazer se encontra em contato com a natureza, na vida livre, onde todo dia se descobre uma alegria diferente, seja com os trinados dos passarinhos, duendes da floresta, botos, iaras, sereias e até mesmo o seu próprio canto.
E assim, Sabá ia levando a vida e agradecendo a Deus por toda aquela maravilha que se descortinava ante seus olhos. Nos fins de semana, saia de canoa, madrugadinha ainda, a pescar com o clarão da lua, a iluminar-lhe a vida e o caminho. Como é grandioso este rio, pensava ele, e este céu, a lua e as estrelas, que envolvem a todos numa intensa magia e numa paz imorredoura . Deus é justo pensava ele, dá a cada um o que merece. Depois, ele vendia na feira todo o produto e seu trabalho e voltava para casa com mantimentos para a semana, não esquecendo de alguns bombons para as crianças. Quando o dinheiro sobrava, comprava para a mulher um corte de chita ou uma água de colônia,e ela ficava feliz. Um dia, numa dessas viagens, ele trouxe consigo umas galinhas e um galo de raça. Construiu um galinheiro bem longe de casa, quase junto ao rio, para que o mau cheiro não os importunasse. Com o tempo, as galinhas botaram, chocaram e a população de galináceos cresceu. Tudo corria bem, melhor que quando ainda moravam num dos Igarapés de Manaus, e em épocas de enchentes ficava quase louco, pois perdia tudo o que possuía.
Mas uma noite, Sabá acorda assustado com os latidos insistentes e ameaçadores de seu cão Tupã. Rápido, levanta-se e corre a tempo de ver o galinheiro flutuando já longe, ao sabor da correnteza num enorme pedaço de Terra Caída. Num repente, pensa em ir atrás com a canoa e salvar as galinhas, mas desiste que a correnteza em certos trechos é braba e vai longe. Lembrou-se então da choca, que por sorte, havia retirado do galinheiro e colocado em baixo da casa. Bem, pensou ele: “ breve terei meus frangos outra vez”, Voltou para sua rede e dormiu o resto da noite como se nada de mal tivesse acontecido. E de fato, nada de mau acontecera.
Moral: "O pouco com Deus é muito “
sobre a obra : Conto Regional
•Terra Caída: - São grandes pedaços de terra arrancados de barrancos à margem dos rios,( pela força das águas) levando consigo, árvores, arbustos, capim e moradias, que são arrastados pelas correntes, como pequenas ilhas flutuantes.
•Tracajá: - Uma espécie de tartaruga ( um manjar dos deuses)
•Jacaretinga: - Filhote de jacaré ( carne deliciosa)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

DESABAFO

"Munido de coragem"
ÉTICA MORRE NA POLÍTICA DO PAÍS


O empressário Oded Grajew, do Conselho administrativo do Instituto Ethos de Empresas e responsabilidade Social, causou mal estar, ontem, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ao pedir um minuto de silêncio " pelo falecimento ético e moral do sistema político brasileiro". Não são as pessoas - Sarney ou Collor-, é o sistema, que permite a ascensão de pessoas pouco comprometidas com a ética ".


Oded Grajew- Jornal " A Critica" 28-08-2.009

domingo, 23 de agosto de 2009

NOTÍCIAS DO PANTANAL

E AÍ?!!!

NOTÍCIAS DO PANTANAL
Era uma vez, uma princesa que beijou um sapo, na certeza de que, ao quebrar-se o encanto, o sapo voltaria a ser um príncipe. Em vez disso, foi a princesa que se transformou numa sapa. Uma variação é a do príncipe que matou a princesa para ficar com o dragão. Essas fábulas invertidas já foram tudo na vida: desenho animado, cartum, história em quadrinhos. Mas seu habitat natural - o pântano - é o mundo político.
Foi o que o presidente Lula fez de novo nesta semana, insistindo em abraçar-se ao dragão, mesmo que lhe custasse a perda de velhos aliados. Pela repetição, tal atitude não deveria surpreender ninguém e, aos que se indignaram e pediram o boné, desligando-se do PT, só não se entende porque não o fizeram há mais tempo.Nos últimos anos, nomes respeitáveis do petismo já caíram fora, e pelo mesmo motivo - para escapar ao miasma. Em todas essas defecções, a reação de Lula resumiu-se a - "os incomodados que se mudem". Sua autossuficiência fará com que, até o final do mandato, a troca de times se complete: a seu lado, estarão todas as figuras que um dia ele execrou e aos quais parecia uma alternativa: Sarney, Collor, Maluf e os demais.
Na oposição ou de pijama em casa, os "companheiros" que em 1980, lhe ensinaram as primeiras letras e o usaram como pôster para suas idéias, sem imaginar que o pôster fosse ganhar vida, vestir a casaca e virá-la pelo avesso. Lula ficou maior que o PT. Enquanto esse se afoga no mangue, o presidente nada de braçada no azul. É imune a algas, dejetos e caranguejos, como se fosse feito de teflon - como o definiu no passado seu mais simbólico adversário, o hoje também aliado Delfin Netto. Nada se gruda a Lula. Dentro de ano e pouco, sairá do governo fresco como uma rosa, deixando o brejo coaxando pela sua volta.
Um texto de RUI CASTRO - Agência Folha - 22-08-2.009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

QUEM???!!!


Este texto é da amiga Silvia Regina publicado no Recanto das Letras, eu o trouxe para o meu
BLOG porque o achei FENOMENAL ( a imagem é outra, pois não consegui copiar as originais)


QUEM???!!!!

Quem será que falou?
Quem sempre calou?
Quem não comprou, e nem viu,
a viagem de quem saiu??!

Quem gastou os catorze mil?
num telefone sem fio?
Quem será que assinou
a lei que nem sequer leu?

E quem será que concedeu

presentes que não pagou?
Quem comeu e quem cedeu?
Quem subiu e quem desceu?
Quem foi que disse o quê
-que não quis o quê -
e porquê?

Quem ganhou pizza, e sambou
Mulher sem vergonha no seio.
Quem não chegou e nem veio?
Quem saiu com bolsos cheios?

Quem, ali, um castelo sonhou,
e um doce príncipe se tornou
pois nem imposto ele pagou?
Quem foi que lá cantou,
e quem leu alguns poemas
- tudo tão fora do esquema?


Quem sumiu com uns papéis
e vendeu terrenos no céu?
Quem tem neto que viajou,
do governo, num jatinho
foi o filho ou o sobrinho?
Talvez alguma amante,
foi a Miami num instante.

Será que foi o senador,
parecido com cangaceiro
que tem um tiro certeiro
e olhar de condor atento?
Aquele - o de roxo saco-
(que sempre causou asco)
sentando no magno assento,
pra confiscar nosso dinheiro
e encher seu próprio celeiro?

Bem, tudo é muito secreto,
com senhores tão diletos,
que falam baixo, os discretos...
E passaram de mil e oitocentos,
aqueles estranhos decretos,
que foram voando no vento...

Ah, é bem feito a este povo desatento,
que deixa rirem dos seus sentimentos,
pois eles são todos amigos de infância,
rindo da nossa santa ignorância....

Tomara nas próximas urnas,
esta súcia toda se vá
- suma,varridos direto pra rua.
E o povo - que não riu -
pois está claro e visto,
finalmente envie a Todos
(com perdão da má expressão)
à puta que os pariu!!!É isto.


***Silvia Regina Costa Lima13 de agosto de 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

IGNORÂNCIA


IGNORÂNCIA


Maria Julia era uma menina que vivia perambulando pelo nosso bairro, e todos a conheciam como “ Zula, a bobinha”. Quer fizesse sol, chuva ou frio, lá estava ela, sempre na rua, suja e maltrapilha, com o nariz escorrendo e aquele rostinho fragilizado a esperar sabe-se lá o que da vida. Onde quer que achasse um portão aberto, ela entrava, postava-se em frente a porta da casa e ali ficava até que lhe dessem um prato de comida.. Nada falava e nada exigia, e de vez enquanto o esboço de um sorriso transparecia em seu rosto ao ver a alegria das crianças que brincavam felizes.

Tinha pai e tinha mãe, mas de que lhe adiantava? Nem lhe enxergavam no meio daquela turminha onde o alimento era escasso e o carinho não existia. O pai trabalhava feito louco e se desdobrava em horas extras, mas mesmo assim o salário era pouco, para saciar aquela prole. A mãe, que poderia estar ajudando, mais parecia um anciã em seus 45 anos de vida e 10 filhos, doente, envelhecida e alquebrada nada mais fazia a não ser dormir. Os filhos tão logo aprendiam a correr, também aprendiam que a rua era o melhor lugar para a barriga vazia e perambulavam pelos bairros da periferia.

E assim, Zula entrou para a adolescência e foi ficando mocinha. As pessoas mais compreensivas e generosas do bairro, ( incluindo minha mãe), colocavam-na no banho e davam-lhe uma muda de roupa usada para trocar, o que para ela, era um presente dos deuses e a felicidade transparecia em seu olhar. Ninguém sabia porque ela não falava, soltava a voz, mas só para dizer entre dentes: “ sim e não, sim e não”. Só aparecia em sua casa para dormir, isto quando aparecia, pois a maior parte das vezes ela dormia no banco da praça ou nos degraus da igreja para indignação das beatas , que tanto se incomodavam mas nada faziam para melhorar a vida daquela pobre criatura ambulante.

Um dia, Zula apareceu doente e vomitando. As beatas ficaram com os cabelos em pé, e se ela estivesse grávida? Uma delas, banhou Zula trocou-a e a levou a um médico, e de fato, estava grávida. O alarido do bairro foi geral pois todas as comadres a conheciam e a noticia se alastrou em questão de minutos. Quem seria o bastardo abusante? E por mais que perguntassem a Zula, ela nada respondia, era de uma ignorância total. Mas que esperar de uma menina de 13 anos, bobinha e analfabeta que jamais teve conhecimento das regras básicas da vida e das maldades que proliferavam?
Havia tantos culpados...

O médico, ciente da vida que a menina levava, e de todos os problemas que poderiam surgir com uma criança à tiracolo, prontificou-se a fazer um aborto. Mas as beatas reagiram de modo espetacular, e se prontificaram a cuidar da menina, na intenção de salvar uma alma de Deus. E assim, Zula foi levando a vida e a barriga para frente. Comia e dormia aqui e ali, mas ninguém a queria definitivamente. Quando chegou o dia do BB nascer, alguém a levou para o hospital e esqueceu-a. E ela teve o BB, um bonito e viçoso menino, que tão logo foi colocado sem seus braços, ela agarrava e enchia de beijos numa euforia quase louca, como se fora o brinquedo que ela jamais tivera .Quando teve alta, ninguém apareceu para ajudá-la, nem sequer um parente. A direção do hospital achou por bem, ficar com o BB para ser adotado por alguém que garantisse um futuro promissor para àquele linda e adorável
criança que de nada tinha culpa.

À tarde, colocaram-na chorando para fora do hospital, mas ela, sem o seu precioso fardo, não foi embora. Ficou ali, rondando o hospital feito um cachorrinho acuado. E veio a noite, não se sabe como ela conseguiu burlar a vigilância e entrar no hospital. Do mesmo modo, conseguiu entrar no berçário, e na semi-claridade, pegar o BB que julgava ser seu, pois
“ Mãe nunca se engana”, e sair de mansinho, com o precioso fardo nos braços.

Correu para fora feliz da vida com seus filho quentinho e seguro em seus braços. Foi então que ouviu a balburdia das enfermeiras alertando os guardas, que imediatamente correram atrás dela. Ela correu mais ainda, frágil e fraca como estava, tropeçou no meio da rua e estatelou-se no meio do asfalto que imediatamente se tingiu de rubro, pois um carro que passava em alta velocidade não pode frear em tempo e matou-a instantaneamente. O BB, arremessado ao longe, bateu a cabecinha no asfalto e também morreu. Imediatamente juntou-se uma multidão de curiosos, mídia e autoridades para cobrir e divulgar a tragédia. No outro dia, Zula que enquanto viva, era só uma bobinha indigente, virou manchete na primeira página, mas a verdade da verdade, jamais foi dita.
Mas só assim, a pequena Zula subiu para Deus com o seu preciosos fardo e enfim descansou.

Sobre a obra
Quantas Marias perambulam por ai, sem cuidados, sem amparo e sem condições dignas para sobreviverem?