sexta-feira, 6 de novembro de 2009

VINGANÇA



A VINGANÇA

Naquela tarde Márcia havia caprichado no visual porque queria ir numa reunião de escritores na Academia. Um famoso escritor estaria autografando seu livro e ela queria conhecê-lo, além de adquirir o livro. Já que ela não dirigia e não gostava de pegar táxi sozinha à noite e nenhuma amiga estava disponível naquele tarde para acompanhá-la, esperou que seu marido chegasse do trabalho e pediu-lhe para levá-la à Academia.
Por azar, ele chegou aborrecido sabe-se lá com o que e não quis levá-la.

Por mais que Márcia lhe pedisse e lhe dissesse que não precisava esperar, ele não quis fazer-lhe o favor, não a levaria e ponto final. Depois de tanto tempo casada Marcia já sabia,
que qualquer discussão depois de um categórico não, era pura perda de tempo e paciência.
Conformou-se, mas lhe disse que mais cedo ou mais tarde também lhe diria um grande NÃO. Ficou ruminando uma vingança mas uma boa oportunidade não aparecia assim tão fácil.

E o Anjo a dizer-lhe esqueça e o demônio sempre a lembrar-lhe.

Uns dias depois, apareceu uma ótima oportunidade . Ele havia passado no shopping e comprado umas calças, tão logo as experimentou, viu que estavam compridas demais.
Chamou Márcia e lhe disse:
--Meça aqui meu bem, e faz a barra para mim...
--Eu? Fazer as barras das tuas calças? Não faço não!!!
--Faz sim!
--Não faço e pronto! Ele também já a conhecia...
Pois não faça disse ele aborrecido, eu levarei a uma costureira.

Uma semana depois, as calças estavam de volta da costureira, mas ele não as usou de imediato. Márcia deu uma olhada nas calças e foi ai que o demônio começou a cutucá-la embora o Anjo fizesse ver que era pura maldade. Mas uma risadinha safada tomou conta dela, pois a idéia que o demônio lhe dera, já havia tomado forma.

Quando por fim, seu marido resolveu usar uma das calças, pegou bem “aquela”. Márcia deu uma olhada como quem não quer nada e ficou por isso mesmo. Se ele notou alguma coisa também não falou nada e foi trabalhar. Quando veio almoçar, ele olhava de uma perna para outra até que perguntou à filha:
--Você não acha que esta calça esta com uma perna mais curta que a outra?.
--Nossa pai, está sim, que costureira você arrumou heim?
Ai, ele tirou a calça mais que depressa e pediu com toda a delicadeza se Márcia podia arrumá-la, que “ naquela costureira dos diabos” ele não voltava mais.
Esta certo, Márcia respondeu, segurando o riso e com a cara mais inocente possível - deixe em cima da cama que eu conserto como puder.
Depois disso, por uns bons tempo, mesmo não gostando, ele não se recusou a levar Márcia onde quer que ela quisesse ir. Mas o que ele nunca soube, foi que o serviço sujo na calça dele, não foi a costureira quem fez, e sim sua endiabrada esposa.

“As vezes, só por malandragem, o demônio nos cutuca e nosso anjo acaba rindo”.
Doroni Hilgenberg

OB. Conto classificado entre os 100 melhores no Concurso da Revista Claudia., e pelo qual eu ganhei o livro autografado de Paulo Coelho “ O Demônio da Srta. Prym.- 27-10-2.000

terça-feira, 8 de setembro de 2009

TERRA CAÍDA


TERRA CAÍDA


O Caboclo Sebastião, que todos conheciam como Sabá, era um simples pescador mas vivia feliz da vida e nada lhe faltava. A vida no meio das matas era boa, tinha uma pequena casinha, uma mulher e quatro filhos sadios. O rio lhe dava os peixes de graça, as matas lhe davam frutos em abundância e da rocinha do fundo do quintal ele colhia o suficiente para comer. De vez em quando saia atrás de uma jacaretinga ou de um tracajá, para fazer um prato domingueiro. Quando as crianças crescessem mais um pouco, ele mandaria para casa do irmão para que aprendessem a ler e escrever, pois que caboclo não carece de muita instrução. Todo o seu prazer se encontra em contato com a natureza, na vida livre, onde todo dia se descobre uma alegria diferente, seja com os trinados dos passarinhos, duendes da floresta, botos, iaras, sereias e até mesmo o seu próprio canto.
E assim, Sabá ia levando a vida e agradecendo a Deus por toda aquela maravilha que se descortinava ante seus olhos. Nos fins de semana, saia de canoa, madrugadinha ainda, a pescar com o clarão da lua, a iluminar-lhe a vida e o caminho. Como é grandioso este rio, pensava ele, e este céu, a lua e as estrelas, que envolvem a todos numa intensa magia e numa paz imorredoura . Deus é justo pensava ele, dá a cada um o que merece. Depois, ele vendia na feira todo o produto e seu trabalho e voltava para casa com mantimentos para a semana, não esquecendo de alguns bombons para as crianças. Quando o dinheiro sobrava, comprava para a mulher um corte de chita ou uma água de colônia,e ela ficava feliz. Um dia, numa dessas viagens, ele trouxe consigo umas galinhas e um galo de raça. Construiu um galinheiro bem longe de casa, quase junto ao rio, para que o mau cheiro não os importunasse. Com o tempo, as galinhas botaram, chocaram e a população de galináceos cresceu. Tudo corria bem, melhor que quando ainda moravam num dos Igarapés de Manaus, e em épocas de enchentes ficava quase louco, pois perdia tudo o que possuía.
Mas uma noite, Sabá acorda assustado com os latidos insistentes e ameaçadores de seu cão Tupã. Rápido, levanta-se e corre a tempo de ver o galinheiro flutuando já longe, ao sabor da correnteza num enorme pedaço de Terra Caída. Num repente, pensa em ir atrás com a canoa e salvar as galinhas, mas desiste que a correnteza em certos trechos é braba e vai longe. Lembrou-se então da choca, que por sorte, havia retirado do galinheiro e colocado em baixo da casa. Bem, pensou ele: “ breve terei meus frangos outra vez”, Voltou para sua rede e dormiu o resto da noite como se nada de mal tivesse acontecido. E de fato, nada de mau acontecera.
Moral: "O pouco com Deus é muito “
sobre a obra : Conto Regional
•Terra Caída: - São grandes pedaços de terra arrancados de barrancos à margem dos rios,( pela força das águas) levando consigo, árvores, arbustos, capim e moradias, que são arrastados pelas correntes, como pequenas ilhas flutuantes.
•Tracajá: - Uma espécie de tartaruga ( um manjar dos deuses)
•Jacaretinga: - Filhote de jacaré ( carne deliciosa)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

DESABAFO

"Munido de coragem"
ÉTICA MORRE NA POLÍTICA DO PAÍS


O empressário Oded Grajew, do Conselho administrativo do Instituto Ethos de Empresas e responsabilidade Social, causou mal estar, ontem, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ao pedir um minuto de silêncio " pelo falecimento ético e moral do sistema político brasileiro". Não são as pessoas - Sarney ou Collor-, é o sistema, que permite a ascensão de pessoas pouco comprometidas com a ética ".


Oded Grajew- Jornal " A Critica" 28-08-2.009

domingo, 23 de agosto de 2009

NOTÍCIAS DO PANTANAL

E AÍ?!!!

NOTÍCIAS DO PANTANAL
Era uma vez, uma princesa que beijou um sapo, na certeza de que, ao quebrar-se o encanto, o sapo voltaria a ser um príncipe. Em vez disso, foi a princesa que se transformou numa sapa. Uma variação é a do príncipe que matou a princesa para ficar com o dragão. Essas fábulas invertidas já foram tudo na vida: desenho animado, cartum, história em quadrinhos. Mas seu habitat natural - o pântano - é o mundo político.
Foi o que o presidente Lula fez de novo nesta semana, insistindo em abraçar-se ao dragão, mesmo que lhe custasse a perda de velhos aliados. Pela repetição, tal atitude não deveria surpreender ninguém e, aos que se indignaram e pediram o boné, desligando-se do PT, só não se entende porque não o fizeram há mais tempo.Nos últimos anos, nomes respeitáveis do petismo já caíram fora, e pelo mesmo motivo - para escapar ao miasma. Em todas essas defecções, a reação de Lula resumiu-se a - "os incomodados que se mudem". Sua autossuficiência fará com que, até o final do mandato, a troca de times se complete: a seu lado, estarão todas as figuras que um dia ele execrou e aos quais parecia uma alternativa: Sarney, Collor, Maluf e os demais.
Na oposição ou de pijama em casa, os "companheiros" que em 1980, lhe ensinaram as primeiras letras e o usaram como pôster para suas idéias, sem imaginar que o pôster fosse ganhar vida, vestir a casaca e virá-la pelo avesso. Lula ficou maior que o PT. Enquanto esse se afoga no mangue, o presidente nada de braçada no azul. É imune a algas, dejetos e caranguejos, como se fosse feito de teflon - como o definiu no passado seu mais simbólico adversário, o hoje também aliado Delfin Netto. Nada se gruda a Lula. Dentro de ano e pouco, sairá do governo fresco como uma rosa, deixando o brejo coaxando pela sua volta.
Um texto de RUI CASTRO - Agência Folha - 22-08-2.009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

QUEM???!!!


Este texto é da amiga Silvia Regina publicado no Recanto das Letras, eu o trouxe para o meu
BLOG porque o achei FENOMENAL ( a imagem é outra, pois não consegui copiar as originais)


QUEM???!!!!

Quem será que falou?
Quem sempre calou?
Quem não comprou, e nem viu,
a viagem de quem saiu??!

Quem gastou os catorze mil?
num telefone sem fio?
Quem será que assinou
a lei que nem sequer leu?

E quem será que concedeu

presentes que não pagou?
Quem comeu e quem cedeu?
Quem subiu e quem desceu?
Quem foi que disse o quê
-que não quis o quê -
e porquê?

Quem ganhou pizza, e sambou
Mulher sem vergonha no seio.
Quem não chegou e nem veio?
Quem saiu com bolsos cheios?

Quem, ali, um castelo sonhou,
e um doce príncipe se tornou
pois nem imposto ele pagou?
Quem foi que lá cantou,
e quem leu alguns poemas
- tudo tão fora do esquema?


Quem sumiu com uns papéis
e vendeu terrenos no céu?
Quem tem neto que viajou,
do governo, num jatinho
foi o filho ou o sobrinho?
Talvez alguma amante,
foi a Miami num instante.

Será que foi o senador,
parecido com cangaceiro
que tem um tiro certeiro
e olhar de condor atento?
Aquele - o de roxo saco-
(que sempre causou asco)
sentando no magno assento,
pra confiscar nosso dinheiro
e encher seu próprio celeiro?

Bem, tudo é muito secreto,
com senhores tão diletos,
que falam baixo, os discretos...
E passaram de mil e oitocentos,
aqueles estranhos decretos,
que foram voando no vento...

Ah, é bem feito a este povo desatento,
que deixa rirem dos seus sentimentos,
pois eles são todos amigos de infância,
rindo da nossa santa ignorância....

Tomara nas próximas urnas,
esta súcia toda se vá
- suma,varridos direto pra rua.
E o povo - que não riu -
pois está claro e visto,
finalmente envie a Todos
(com perdão da má expressão)
à puta que os pariu!!!É isto.


***Silvia Regina Costa Lima13 de agosto de 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

IGNORÂNCIA


IGNORÂNCIA


Maria Julia era uma menina que vivia perambulando pelo nosso bairro, e todos a conheciam como “ Zula, a bobinha”. Quer fizesse sol, chuva ou frio, lá estava ela, sempre na rua, suja e maltrapilha, com o nariz escorrendo e aquele rostinho fragilizado a esperar sabe-se lá o que da vida. Onde quer que achasse um portão aberto, ela entrava, postava-se em frente a porta da casa e ali ficava até que lhe dessem um prato de comida.. Nada falava e nada exigia, e de vez enquanto o esboço de um sorriso transparecia em seu rosto ao ver a alegria das crianças que brincavam felizes.

Tinha pai e tinha mãe, mas de que lhe adiantava? Nem lhe enxergavam no meio daquela turminha onde o alimento era escasso e o carinho não existia. O pai trabalhava feito louco e se desdobrava em horas extras, mas mesmo assim o salário era pouco, para saciar aquela prole. A mãe, que poderia estar ajudando, mais parecia um anciã em seus 45 anos de vida e 10 filhos, doente, envelhecida e alquebrada nada mais fazia a não ser dormir. Os filhos tão logo aprendiam a correr, também aprendiam que a rua era o melhor lugar para a barriga vazia e perambulavam pelos bairros da periferia.

E assim, Zula entrou para a adolescência e foi ficando mocinha. As pessoas mais compreensivas e generosas do bairro, ( incluindo minha mãe), colocavam-na no banho e davam-lhe uma muda de roupa usada para trocar, o que para ela, era um presente dos deuses e a felicidade transparecia em seu olhar. Ninguém sabia porque ela não falava, soltava a voz, mas só para dizer entre dentes: “ sim e não, sim e não”. Só aparecia em sua casa para dormir, isto quando aparecia, pois a maior parte das vezes ela dormia no banco da praça ou nos degraus da igreja para indignação das beatas , que tanto se incomodavam mas nada faziam para melhorar a vida daquela pobre criatura ambulante.

Um dia, Zula apareceu doente e vomitando. As beatas ficaram com os cabelos em pé, e se ela estivesse grávida? Uma delas, banhou Zula trocou-a e a levou a um médico, e de fato, estava grávida. O alarido do bairro foi geral pois todas as comadres a conheciam e a noticia se alastrou em questão de minutos. Quem seria o bastardo abusante? E por mais que perguntassem a Zula, ela nada respondia, era de uma ignorância total. Mas que esperar de uma menina de 13 anos, bobinha e analfabeta que jamais teve conhecimento das regras básicas da vida e das maldades que proliferavam?
Havia tantos culpados...

O médico, ciente da vida que a menina levava, e de todos os problemas que poderiam surgir com uma criança à tiracolo, prontificou-se a fazer um aborto. Mas as beatas reagiram de modo espetacular, e se prontificaram a cuidar da menina, na intenção de salvar uma alma de Deus. E assim, Zula foi levando a vida e a barriga para frente. Comia e dormia aqui e ali, mas ninguém a queria definitivamente. Quando chegou o dia do BB nascer, alguém a levou para o hospital e esqueceu-a. E ela teve o BB, um bonito e viçoso menino, que tão logo foi colocado sem seus braços, ela agarrava e enchia de beijos numa euforia quase louca, como se fora o brinquedo que ela jamais tivera .Quando teve alta, ninguém apareceu para ajudá-la, nem sequer um parente. A direção do hospital achou por bem, ficar com o BB para ser adotado por alguém que garantisse um futuro promissor para àquele linda e adorável
criança que de nada tinha culpa.

À tarde, colocaram-na chorando para fora do hospital, mas ela, sem o seu precioso fardo, não foi embora. Ficou ali, rondando o hospital feito um cachorrinho acuado. E veio a noite, não se sabe como ela conseguiu burlar a vigilância e entrar no hospital. Do mesmo modo, conseguiu entrar no berçário, e na semi-claridade, pegar o BB que julgava ser seu, pois
“ Mãe nunca se engana”, e sair de mansinho, com o precioso fardo nos braços.

Correu para fora feliz da vida com seus filho quentinho e seguro em seus braços. Foi então que ouviu a balburdia das enfermeiras alertando os guardas, que imediatamente correram atrás dela. Ela correu mais ainda, frágil e fraca como estava, tropeçou no meio da rua e estatelou-se no meio do asfalto que imediatamente se tingiu de rubro, pois um carro que passava em alta velocidade não pode frear em tempo e matou-a instantaneamente. O BB, arremessado ao longe, bateu a cabecinha no asfalto e também morreu. Imediatamente juntou-se uma multidão de curiosos, mídia e autoridades para cobrir e divulgar a tragédia. No outro dia, Zula que enquanto viva, era só uma bobinha indigente, virou manchete na primeira página, mas a verdade da verdade, jamais foi dita.
Mas só assim, a pequena Zula subiu para Deus com o seu preciosos fardo e enfim descansou.

Sobre a obra
Quantas Marias perambulam por ai, sem cuidados, sem amparo e sem condições dignas para sobreviverem?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A LENDA DO GUARANÁ


A LENDA DO GUARANÁ


Conta a lenda que um casal de índios Maués, viviam juntos a muitos anos e ainda não tinham filhos. Um dia, pediram a Tupã para dar-lhes uma criança. Tupã atendeu o desejo do casal e deu-lhes um lindo menino, que cresceu cheio de graça e beleza e se tornou querido de toda a tribo.

No entanto, Jurupari, o Deus da escuridão e do mal, sentia muita inveja do menino e decidiu matá-lo. Certo dia, quando o menino foi coletar frutos na floresta, Jurupari aproveitou para se transformar numa serpente venenosa e matar o menino. Neste momento, fortes trovões ecoaram por toda a aldeia, e relâmpagos luziam no céu em protesto.

A mãe, chorando em desespero ao achar seu filho morto, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã. Em sua crença, Tupã dizia-lhe que deveria plantar os olhos da criança e que deles nasceria uma nova planta, dando saborosos frutos, que fortaleceria os jovens e revigoraria os velhos. E os índios, plantaram os olhos da criança e regavam todos os dias. Logo mais, nesse lugarzinho onde foi enterrado os olhos do indiozinho, nasceu o Guaraná, cujos frutos, negros como azeviche, envoltos por uma orla branca em sementes rubras, são muito semelhantes aos olhos dos seres humanos.


O GUARANÁ


O Guaraná é um arbusto trepador pertencente à família das Sepindáceas, Paullinia Cupana. Sua casca é escura e as cascas são pinadas. As flores de tamanho médio são muito aromáticas, e os frutos, vermelhos e brilhantes, quando secos tornam-se pretos. O Guaraná é muito empregado como planta medicinal para evitar a arteriosclerose, e auxiliar nos problemas do coração e das artérias, funcionando como um notável cardiovascular. Pode também ser usado como sedativo e adstringente intestinal, na ocorrência de diarréias crônicas. Suas sementes após torradas e moídas, convertidas em massa, é utilizadas no comercio como pó de guaraná, e serve para o feitio de refrescos e refrigerantes.


A FESTA DO GUARANÁ


A primeira festa do guaraná realizada em Maués, ( a 260 Km de Manaus), deu-se em novembro de 1979, com o apoio da prefeitura e do governo do Estado do Amazonas. Este evento foi criado como forma de homenagear o produtor de Guaraná, que é a base de sustentação do município de Maués, atraindo novos investimento e divulgando o guaraná além de suas fronteiras. Em 1.980, a festa do Guaraná ganhou espaço internacional, quando foi transmitida pelo fantástico pela Rede Globo de televisão. Em 1.995 , a festa do Guaraná passou a ser transmitida via Satélite pela Rede Amazônica de Televisão. Esta festa é muito bonita, pois é realizado o concurso de Rainha do Guaraná, apresentada a lenda do Guaraná e os rituais de tucandeira e outras manifestações culturais do município. E como se vê, a planta trouxe realmente progresso para a tribo, devido ao abundante comércio de suas mudas , que são cultivadas em sua maior parte pelos índios Maués.


Doroni Hilgenberg

Editado no Overmundo- 271 votos e 53 comentários
http://www.overmundo.com.br/banco/a-lenda-do-guarana

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O APELIDO



O Apelido

Quando fiz dezesseis anos, achei que já estava na hora de arrumar um namorado. Todas as minhas amigas já estavam namorando e eu não queria segurar vela. Embora papai achasse que eu era nova ainda, eu achava que estava na idade certa e da razão. Um belo dia, numa festinha na casa de amigas, fiquei conhecendo o José. José mesmo! Era bonitinho, sabia dançar, sabia conversar e tal como eu era estudante. Achei que daria um bom namorado.


Uma semana depois estava eu toda feliz com um namorado, indo a festinhas aqui, cinemas ali, passeios pra cá, colégio pra lá e tudo corria às mil maravilhas, pois até meu pai depois de conhecer o menino se encantou pelo mocinho. Mas nosso namoro continuou legal até eu descobrir seu apelido: –Juquinha! De cara eu detestei. Porque Juquinha? Fosse Zé ou Zequinha, vá lá, mas Juquinha... jamais! Me parecia tão caipira...


Comecei a implicar com o garoto na esperança de que ele se interessasse por outra garota e esquecesse que eu existia. Vã esperança. Não havia jeito. Por mais que eu deliberadamente faltasse aos encontros, por mais que eu implicasse com suas roupas e seu cabelo, ele não arredava o pé. E eu, via o tempo passando e o Juquinha cada vez mais grudado em mim. Namorado é isso! Pensei comigo que em breve ele ia servir o exército e então eu poderia terminar o namoro pois geralmente naquela época os meninos da classe média, iam servir no Rio de Janeiro. Mas quê! Ledo engano, para azar meu ele foi dispensado. E eu cada vez mais chateada e ele cada vez mais enamorado.


Nesta época eu já estava de olho num certo Antonio que morava no outro bairro. Enfim, que seria de nossa juventude se tivéssemos só um namorado? Seria como provar só um doce até ficar enjoativo. Para aumentar mais ainda a minha insatisfação, minha mãe dizia que o Juquinha era baixinho. Já pensaram? Juquinha e baixinho! A esperança de que ele se esticasse no quartel já não existia e eu, pobre de mim, já sou baixinha. Ficava imaginando que se acaso casasse com ele, nossos filhos seriam anões. Nada contra, mas dois baixinhos não dá pé. Naquela semana terminei o namoro. Pobre Juquinha, julguei ver lágrimas em seus olhos, mas que fazer, era eu ou ele.


Um mês depois, estava de namorado novo, nada mais e nada menos, que o certo Antonio do bairro vizinho. Alto, magro e brincalhão. Mas nosso namoro só durou até eu descobrir seu apelido. Querem saber? Eu não conto, é outra história...


Doroni Hilgenberg

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DIBS, EM BUSCA DE SI MESMO

Toda a criança precisa de atenção e carinho
DIBS, EM BUSCA DE SI MESMO

RESENHA


Em seu comovente relato, a autora nos põe em contato com o traumático mundo de Dibs, uma criança que não falava, não brincava e que vivia perdido em si mesmo, muitas vezes tendo violentos acessos de raiva que deixava confusos o pediatra e o psicólogo que tratavam dele na escola. Mas o pequeno Dibs tinha uma inteligência rara e um QI elevadíssimo que, sem o apoio incondicional e o amor da família tradicional, exigente e extremamente conservadora, não encontra campo para se expandir, tornando-se assim, um menino arisco, problemático e fechado em si mesmo, mas ciente das coisas e de tudo o que se passa ao redor, assimilando sozinho seus aprendizados, conhecimentos e conquistas, as quais, devido a sua pouca idade, ainda não tinha noções de sua utilidade e se sentia perdido entre o mundo da criança e o mundo do adulto, o mundo da fantasia e o mundo real, entre o certo e o errado e entre o bem e o mal.

Ciente do que fala em seu livro, a autora Virginia Axline, que também é técnica em ludoterapia e tratamento de crianças com distúrbios emocionais, nos revela o mundo novo que vai se abrindo para Dibs quando este começa a freqüentar as aulas de ludoterapia e em contato com a professora que o entende e o estimula, que não lhe faz cobranças e nem o castiga, deixa-o livre com diversos brinquedos e conversas á sua vontade, ele vai adquirindo confiança e se sentindo cada vez mais seguro de si, e percebendo o seu valor vai encontrando o seu próprio caminho.
E, é por uma simples janela da sala de aula que ele consegue ver o mundo com os olhos de um outro Dibs, mais alegre e consciente de si mesmo, sabendo quem é, o que quer e o seu valor como ser humano num mundo onde impera o preconceito e a intolerância.

Ao ler o livro, fiquei emocionada com a história de Dibs e indignada com o tratamento que o pai ( uma pessoa culta) dispensava ao pequeno, pois além de não lhe dar atenção, ainda o chamava de idiota, palavra que jamais deve ser dita para uma criança em desenvolvimento e não é aceitável que um pai possa tratar o filho como idiota, uma palavra pesada e de conseqüências nefastas no cognitivo emocional de uma criança, ainda mais quando vindas de pessoas que tem por obrigação de transmitir conforto, amor e carinho. Quanto à mãe, logo teve a certeza de que seu filho não era tão mau como o pai apregoava, ele precisava de amor e atenção e sobretudo, respeito pelo seu modo de ser.

Apesar de ter pouca coisa em comum, a não ser os meninos com uma inteligência rara e incompreendida, a história de Dibs, me fez lembrar de outra: “ Meu pé de Laranja Lima”
cujo autor é José Mauro de Vasconcellos. Ele nos conta a história de Zezé, um menino que incompreendido pelo pai, ganhava surras enormes cada vez que aprontava suas traquinagens. Mas ao contrário de Dibs que não tinha amigos, Zezé tinha como confidente um Pé de Laranja Lima, e uma irmã como amiga que sempre velava por ele. Também havia um taberneiro, seu Portuga, que gostava muito do garoto, mas infelizmente morre no inicio da história deixando-o
só e inconsolável, mas aprontando cada vez mais e apanhando também.

Seja como for, trazendo lembranças diversas ou mexendo em nossa consciência, fazendo-nos sentir como é a vida de uma criança fechada e perdida em si mesma, a história de Dibs é triste
e comovente, de uma utilidade sem tamanho na área de medicina alternativa e deve ser lida e entendida por todas as pessoas que exercem a profissão com crianças excepcionais
e problemáticas em qualquer campo da psiquiatria e da pedagogia, que tem por obrigação orientá-las e ajudá-las a encontrar seu caminho. É aconselhável também para todos os pais intransigentes e conservadores que não entendem que é através de uma série de procuras e descobertas, de erros e acertos e principalmente de aceitação, que toda a criança, quer seja problemática ou não, vai se encontrando e delineando seu próprio caminho.


Doroni Hilgenberg

Resenha do Livro:
Dibs, em busca de si mesmo
(psicoterapia infantil)
autora: Virginia M. Axline
tradutora: Célia soares Linhares
editora : Agir, RJ. 2.001
22* edição
Editado no Overmundo

sábado, 25 de abril de 2009

DANDO O TROCO

Gato folgado!

DANDO O TROCO

Já fazia tempo que eu vivia aborrecida com meu marido. Isto porque ele chegava tarde em casa e não levava a chave para que pudesse entrar quando bem entendesse. Não que voltasse de madrugada, isso não, mas sempre chegava depois das 10 horas da noite. E aquilo já estava me cansando, afinal, na época eu tinha três filhos pequenos, que estudavam pela manhã e precisava acordar cedo para despacha-los para o colégio. Mas meu marido parecia pouco estar se importando com o meu aborrecimento, e embora eu brigasse e soltasse umas cobras e lagartos,
acabávamos nos acertando na cama e a chave continuava sempre na porta da sala.
Eu colocava as crianças para dormir e ficava naquela espera enervante até ele chegar, e quando chegava era quase sempre uma briga pelos mesmos motivos, a demora e o medo que eu tinha de que algo pudesse lhe acontecer. Mas ele nem ligava... abusante!!! Gostava que eu ficasse esperando-o para esquentar-lhe o jantar, fazer-lhe um café fresquinho, e depois disso, já era meia noite. E ainda dizia que eu era ciumenta.
E eu respondia indignada:
--Eu ciumenta? Ora, qualquer dia você me paga!
Uma bela noite, eu não agüentei mais... Fechei a casa, liguei o ar condicionado (que fazia um barulho enorme) e fui dormir. Pensei comigo que se não escutasse ele bater, as crianças escutariam e abririam a porta para ele. E, no horário de sempre, ele chega. Bate aqui, bate ali e nada. As crianças com o sono pesado e o ar condicionado ligado, não o ouviram bater, ou se ouviram, não se incomodaram com quem quer que fosse que estivesse batendo àquela hora da noite. E eu, como estava disposta a castigá-lo, também não ouvi nada, estava dormindo o sono dos justos. E ele bateu nas portas e bateu nas janelas e nada de conseguir entrar.
Cansado e com medo que os vizinhos viessem ver o porquê daquela barulheira toda, ele desistiu. Cedinho, quando acordei, e abri a porta da sala, lá estava ele, sentado na cadeira de balanço na varanda, com uma cara mais azeda que limão, olhos inchados e todo dolorido, e eu, sorrindo de orelha à orelha, sequer me importei com o olhar atravessado que ganhei pelo resto da semana, mas a chave mudou de lugar. Até que enfim, tivera a coragem de aprontar também..
Doroni Hilgenberg